O Brazil Tokenization Report 2025 define o ano como "o momento da convergência" — o ponto em que regulação, instituições, inovação e tecnologia se alinham para abrir as portas de uma nova economia. Em 2025, os dois grandes gargalos da tokenização, regulação e dinheiro on-chain, finalmente encontraram respostas sólidas, puxadas pelo GENIUS Act nos EUA e pelo boom das stablecoins. O Brasil se consolida como o hub de tokenização da América Latina, com uma estimativa de cerca de US$ 1 bilhão em ativos tokenizados já distribuídos localmente.
Regulação e dinheiro on-chain convergem
A tese do relatório é que a virada que definiu 2025 veio de duas frentes que encontraram respostas sólidas ao mesmo tempo. Os EUA assumiram a liderança com o GENIUS Act, estabelecendo regras claras para stablecoins de pagamento — reservas 1:1 em ativos líquidos de alta qualidade, relatórios auditados mensais e proibição de pagamento de juros ou rendimento — sancionado em julho de 2025 e com entrada em vigor em 2026-2027. As stablecoins já movimentam mais de US$ 3,5 trilhões por mês, superando gigantes de pagamento, com mais de US$ 300 bilhões em circulação, enquanto os ETFs de cripto se aproximam de US$ 250 bilhões em AUM e a tokenização de RWA supera US$ 30 bilhões globalmente. Já as CBDCs estagnaram: o número de países que as exploram cresceu apenas de 134 para 137, com somente 5 avançando de pesquisa para desenvolvimento, enquanto os reguladores passaram a enxergar as stablecoins privadas como a verdadeira história de infraestrutura.
O Brasil como hub da América Latina
O Brasil concentra hoje os principais players da América Latina: a Hashdex se tornou a maior gestora de ativos digitais da região, o Mercado Bitcoin segue como a maior exchange, a OranjeBTC construiu a maior tesouraria de bitcoin, a Crown desponta como a principal emissora de stablecoins lastreadas em BRL e a Nexa realizou a maior captação do mercado de tokenização da América Latina. O relatório aponta que 70% dos players dizem que o mercado melhorou em relação a 2024, mais de 70% dos VCs brasileiros já investiram em ativos digitais, e as maiores plataformas locais operam sob licenças e regras da CVM. O presidente do Banco Central afirmou que 90% do fluxo de cripto do país é de stablecoins, enquanto marcos locais ao longo de 2025 incluíram a tokenização de R$ 170 milhões em duplicatas pela Núclea e AmFi, um acordo de tokenização de US$ 500 mi entre Liqi e XDC e a captação da Nexa para tokenizar e distribuir R$ 1 bi em 2026.
Principais conclusões
- As stablecoins movimentam mais de US$ 3,5 trilhões por mês, superando gigantes de pagamento, com mais de US$ 300 bilhões em circulação.
- Os ETFs de cripto se aproximam de US$ 250 bilhões em AUM e a tokenização de RWA já superou US$ 30 bilhões globalmente.
- O GENIUS Act dos EUA, sancionado em julho de 2025, criou um regime federal de stablecoins exigindo reservas 1:1 e proibindo pagamento de rendimento.
- Estima-se que cerca de US$ 1 bilhão em ativos tokenizados já foi distribuído no Brasil, com mais de 70% dos VCs brasileiros tendo investido em ativos digitais.
- A exploração de CBDCs cresceu apenas de 134 para 137 países, com somente 5 avançando para desenvolvimento, enquanto as stablecoins substituíram as CBDCs como prioridade de infraestrutura.
